September 2010
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BOETIE, Etienne la. Discurso da Servidão Voluntária.Tradução de Laymert Garcia dos Santos. Editora Brasiliense, 1987.
A questão do autor é compreender porque nações suportam tiranos visto que o mesmo só existe neste papel porque esta nação o legitima no pode, afinal ele não poderia fazer-lhes mal algum se ao invés de tolerá-lo todos preferissem contradizê-lo.
“a dominação de vários não podia ser boa, pois o poderia de um som é duro e insensato tão logo tome o título de senhor..” (BOETIE, 11)
“Mas para falar com conhecimento de causa, é um extremo infortúnio estar-se sujeito a um senhor, o qual nunca se pode se certificar de que seja bom, pois sempre está em seu poderia ser mais quando quiser..” (Idem, 11)
“ver um milhão de homens servir miseravelmente, com o pescoço sob jugo, não obrigados por uma força maior, mas de algum modo (ao que parece) encantados, enfeitiçados apenas pelo nome de um…”(Ibidem, 12)
“…carregar o mal pacientemente e reservar-se para melhor fortuna no futuro.” (Ibidem, 12)
“…se os habitantes de um país encontraram algum grande personagem que lhes tenha dado provas de grande previdência para protegê-los, grande audácia para defendê-los, grande cuidado para governá-los, se doravante cativam-se em obedecê-lo e se fiam tanto nisso a ponto de lhe dar algumas vantagens, não sei se seria sábio tirá-lo de onde fazia o bem para colocá-lo num lugar onde poderá malfazer; mas certamente não poderia deixar de haver bondade em não temer o mal de quem só se recebeu o bem. (Ibidem, 12)
O autor se pergunta qual seria este vício que faz com que as pessoas passem não a obedecer, mas a servir. A não serem mais donas nem de seus pertences, nem de si. Se 2, 3 ou quatro não tem coragem de se rebelar contra um tirano, é possível que seja por covardia, mas porque cem mil homens não se rebelam? Não pode ser por covardia (assim como é humanamente impossível a um homem construir uma fortaleza ou enfrentar um exército sozinho). Qual é o nome desse vício?
Segundo o autor, as pessoas não precisariam anular um tirano, elas só precisariam não consentir com a sua servidão. Não é preciso tirar nada do tirano e necessário simplesmente não dar-lhe nada. “não é preciso que o país se esforce a fazer algo para sim, contanto que nada faça contra si. Portanto são os próprios povos que se deixa, ou melhor, se fazem dominar…” (Ibidem, 14)
“…como o homem pode ter algo mais caro que restabelecer-se em seu direito natural e, por assim dizer, de bicho voltar a ser homem? Mas não desejo nele tamanha audácia, permito-lhe que prefira não sei que segurança de viver miseravelmente a uma duvidosa esperança de viver à sua vontade.”(Ibidem, 14-15)
“…para ter liberdade basta desejá-la..” (Ibidem, 15)
“Mas os médicos certamente aconselham que não se ponha a mão nas feridas incuráveis; e não sou sensato ao querer pregar isso ao povo que há muito perdeu todo conhecimento e que, por não sentir mais o mal, bem mostra que sua doença é mortal.” (Ibidem, 16)
A vontade de servir está tão enraizada nos homens que parece pouco natural a ideia de liberdade.
“… se vivêssemos com os direitos que a natureza nos deu e com as lições que nos ensina, seríamos naturalmente obedientes aos pais, sujeitos à razão e servos de ninguém.” (Ibidem, 16-17)
Argumentação de porque a servidão não é natural ao homem:
“ (a natureza) não enviou para cá os mais fortes nem os mais espertos como bandidos na floresta, para aí dominar os mais fracos; mas, antes, é de se crer que, atribuindo assim a partes maiores a uns, aos outros as menores, queria fazer lugar ao afeto fraternal para que ele tivesse onde ser empregado, tendo uns o poderia de dar ajuda e outros necessidade de recebê-la. (…) se ela nos deu a todos o grande presente da voz e da fala para convivermos e confraternizarmos mais, e fazermos, através da declaração comum e mútua de nossos pensamentos, uma comunhão de nossas vontades; e se tratou por todos os meios de estreitar e apertar tão forte o nó de nossa aliança e sociedade; se em todas as coisas mostrou que ela não queria tanto fazer-nos todos unidos mas todos uns - não se deve duvidar de que sejamos todos naturalmente livres, pois somos todos companheiros; e não pode cair no entendimento de ninguém que a natureza tenha posto algum em servidão, tendo-nos posto todos em companhia.” (Ibidem, 17)
Mas para o autor, tal argumento não é necessário porque a natureza é razoável e a servidão não é.
Nascemos com a posse da liberdade e também com a vontade de mantê-la, mas nós não conseguimos mais reconhecer nossos bens nem nossas afeições naturais.
Há três tipos de tirano:
- os que obtêm o reino por eleição do povo
- os que obtêm o reino por força das armas
- os que obtêm o reino por sucessão de sua raça
“… pois se diversos são os meios de aos reinados chegar, quase sempre semelhante é a maneira de reinar. Os eleitos os tratam como se tivessem pegado touros para domar; os conquistados os consideram presa sua; os sucessores pensa, tratá-los como seus escravos naturais.”
Para que os homens se sujeitem é preciso forçá-los ou iludi-los. Podem ser forçados por armas estrangeiras ou por facções (?), mas são iludidos por si mesmos. Por exemplo um povo que legitimou um tirano para defendê-lo em um conflito e quando ele foi vencedor do conflito tornou-se rei-tirano.
“no início serve-se obrigado e vencido pela força; mas os que vêm depois servem sem pesar e fazem de bom grado o que seus antecessores haviam feito pela imposição.” (Ibidem, 20)
Os homens tendem a considerar natural a condição de seu nascimento. Se nascera, servos, acham de bom grado manter-se assim.
“Mas o costume, que por certo tem em todas as coisas um grande poder sobre nós, não possui em lugar nenhum virtude tão grande quanto a seguinte: ensinar-nos a servir para que aprendamos a engolir e não achar amarga a peçonha da servidão.” (Ibidem, 20)
Geralmente volta-se à natureza para explicar a servidão como um mal de nascença (nascer mal ou nascer bem), mas o natural se perde quando não é cultivado, em contrapartida o alimento nos molda a sua maneira. A forma com que as pessoas se relacionam com a liberdade advém em maior parte da forma como foram educadas, de como viveram, de forma que a semente de liberdade com a qual todos nós nascemos pode ser abastarda. “Cada erva tem sua propriedade, seu natural e singularidade; todavia o gelo, o tempo, a terra ou a mão do jardineiro nela aumentam ou diminuem muito de sua virtude.” (Ibidem, 21)
Sobre os gregos que foram à Pérsia negar subjugar-se a Xerxes:
“conheceste o valor do rei; mas da liberdade nada sabes – que gosto tem, como é doce. Ora, de sela tivesse provado, tu mesmo nos aconselharia a defendê-la, não com a lança e o escudo mas com unhas e dentes. Sé o Espartano dizia o que era preciso dizer; mas certamente ambos falavam como haviam sido criados. Pois não era possível que o Persa lamentasse a liberdade, não a tendo tido nunca…” (Ibidem, 22)
“ A natureza do homem é mesmo de ser franco e querer sê-lo; mas, também sua natureza é tal que naturalmente ele conserva a feição que a educação Lhe dá.” (Ibidem, 23)
A primeira razão da servidão voluntária é o costume.
“salta aos olhos que desejavam não eliminar mas mudar a coroa, que pretendiam banir o tirano e reter a tirania.” (Ibidem, 25)
“…a primeira razão porque os homens servem de bom grado é que nascem servos e são criados com tais. Desta decorre uma outra: que sob os tiranos as pessoas facilmente se tornam covardes e efeminados.” (Ibidem, 25)
“… a gente subjugada, além dessa coragem guerreira, também perde a vivacidade em todas as outras coisas e tem o coração baixo emole, incapaz de todas as grandes coisas. Disso muito bem sabem os tiranos, e vê-la tomando essa feição, ainda ajudam para que afrouxe mais.” (Ibidem, 26)
“artimanha de tiranos para bestializar seus súditos (…) descobriu um grande expediente para apoderar-se dela (a cidade): ali estabeleceu bordéis, tavernas e jogos públicos, e proclamou uma ordenação que os habitantes tiveram que acatar. (…)é maravilhoso como cedem rápido, contanto que lhes façam cócegas. Os teatros, os jogos, as farsas, os espetáculos, os gladiadores, os bichos estranhos, as medalhas, os quadros e outras drogas que tais eram para os povos antigos as iscas da servidão, o preço de sua liberdade, as ferramentas da tirania.” (Ibidem, 27)
“achando bonitos esse passatempos, entretidos por um prazer vão que passava diante de seus olhos, os povos abobados acostumavam-se a servir tão tolamente…(…)Os brincos não percebiam que apensa recobravam parte do que era seu e que até mesmo no que recobravam o tiranos não lhes teria dado se antes não lhes tivesse tirado.” (Ibidem, 27-28)
Exemplo: Política de pão e circo. Inspeção veicular que foi de graça no primeiro ano e agora pagamos com naturalidade.
Alguns tiranos mantinham uma aura de mistério em torno do povo que conquistavam, demoravam a se apresentar pra eles. O povo acostumavam-se a servir e servia com mais boa vontade por não saber que senhor tinha nem a muito custo se tinha, e todos temiam acreditando em um que ninguém jamais vira.
“(os reis do Egito)…mascaravam-se e fingiam-se de mágicos. E assim, pela estranheza da coisa, suscitavam em seus súditos alguma reverência e admiração; mas, no meu entender, teriam apenas se prestado ao passatempo e à troça na gente que não tivesse sido tola ou sujeita demais.” (Ibidem, 29) – Lady Gaga?
“ O próprio povo tolo sempre faz as mentiras para depois acreditar nelas.” (Ibidem, 29)
“.., Os próprios tiranos achavam bem estranho que os homens pudessem suportar um homem fazendo-lhes mal; queriam muito por a religião na frente, como anteparo, e se possível, tomar emprestada alguma amostra da divindade para o mantimento de sua miserável vida.” (Ibidem, 29-30) Alguns diziam ter poderes de cura, dar a visão aos cegos, etc
“…nunca houve como os tiranos que, a fim de se manterem, se esforçam para acostumar o povo a eles não só por obediência e servidão, mas também por devoção.” (Ibidem, 31)
Tudo que foi dito até agora só serve dos tiranos ao povo miúdo e grosseiro.
“…não são as armas que defendem o tirano; de imediato, não se acreditará nisso, mas com certeza é verdade. São sempre quatro ou cinco que mantêm o tirano; quatro ou cinco que lhe conservam o país inteiro em servidão.” (Ibidem, 31)
Estas pessoas que ficam perto do tirano são seus cúmplices em suas crueldades e em suas luxúrias. E quando estes tem domínio sobre o tirano, fazem com que ele impute além das suas próprias crueldades, as crueldades deles. Embaixo destes seis existem seiscentos de quem eles têm o mesmo domínio que têm do tirano e implementam as mesmas ações sobre eles. Esses seiscentos replicam as mesmas atitudes com relação aos seis mil que estão embaixo deles, replicando-se assim a tirania.
“Em suma: que se chegue lá por favores ou subfavores, os ganhos ou restolhos (refugo) que se tem com os tiranos, ocorre que afinal há quase tanta gente para quem a tirania parece ser proveitosa quando aqueles para quem a liberdade seria agradável.” (Ibidem, 31)
O rei tirano funciona como uma maçã podre num cesto de maçãs saudáveis. Ele apodrece o que está a sua volta, criando uma corrente perversa de tiranias a partir de si.
“Assim o tirano subjuga os súditos uns através dos outros e é guardado por aqueles de quem deveria se guardar.” (Ibidem, 31)
Reprodução da tirania:
“…não que eles mesmos (as pessoas próximas ao tirano) às vezes não sofram por causa dele; mas esses perdidos e abandonados por deus e pelos homens ficam contentes de suportar o mal para fazê-lo, não àquele que lhes malfez, mas àqueles que suportam como eles e que nada podem fazer.” (Ibidem, 33)
“…o que é aproximar-se do tirano senão recuar mais de sua liberdade e, por assim dizer, apertar com as duas mãos e abraçar a servidão? Que ponham um pouco de lado sua ambição e que se livrem um pouco de sua avareza, e depois, que olhem-se a si mesmos e se reconheçam; e verão claramente que os aldeões, os camponeses que espezinham o quanto podem e os trata pior do que a forçados e escravos – verão que esses, assim maltratados, são no entanto felizes e mais livres do que eles.” (Ibidem, 33)
“Mas eles querem servir para ter bens, como se não pudessem gerar nada que fosse deles, pois não podem dizer de si que sejam de si mesmos” (Ibidem, 33)
“…o tirano nunca é amado, nem ama; a amizade é um nome sagrado, é uma coisa santa; ela nunca se entrega senão entre pessoas de bem e só se deixa apanhar por mútua estima; se mantém não tanto através de benefícios de uma vida boa; o que torna um amigo seguro do outro é o conhecimento que tem de sua integridade; as garantias que tem são sua bondade natural, a fé e a constância. Nào pode haver amizade onde há crueldade, onde há deslealdade, onde há injustiça; e entre os maus, quando se juntam, há uma conspiração, não uma companhia; eles não se entre-amam, mas se entre-temem; não são amigos, mas cúmplices.” (Ibidem, 36)
A amizade pressupõe igualdade e o tirano está acima de todos, por isso essa lhe é impossível de estabelecer.
“De bom grado que o povo não acusa o tirano do mal que sofre, mas aqueles que o governam.”
O autor mostra em exemplos a seguir como a população se faz enraivecida por aqueles que põe em prática as vontades do tirano, mas do que o tirano em si.
Ao final, convida o leitor a um exame de consciência e diz que nada é mas contrário a deus do que a tirania e diz crer que há um espaço reservado no inferno para o tirano e todos seus cúmplices.
Essa eu ofereço pra @fabbao
resumo / fichamento - para uso público
MAQUIAVEL. Nicolau. O príncipe.
Capítulo 1 – De quantas espécies são os principados e quantos são os modos pelos quais se conquistam.
Espécies: República ou Principado.
Principados: hereditários ou novos (podem ser inteiramente novos ou membros juntados a um príncipe).
Principados feitos pela junção de membros a um Estado (principados mistos) adquirido podem ser sujeitos a um príncipe ou livres. Podem ter sido adquiridos com tropas alheias ou próprias, pela fortuna ou pelo mérito.
Capítulo 2 – Dos principados hereditários
Como devem ser governados e preservados.
São mais difíceis de ser conservados que os Estados Hereditários do que os Novos, pois neles bastas não abandonar os procedimentos dos antecessores e contemporizar com situações novas.
São mais difíceis de ser conservados que os Estados Hereditários do que os Novos, pois neles bastas não abandonar os procedimentos dos antecessores e contemporizar com situações novas.
São mais difíceis de ser conservados que os Estados Hereditários do que os Novos, pois neles bastas não abandonar os procedimentos dos antecessores e contemporizar com situações novas.
Se o príncipe tiver uma inteligência comum será capaz de mantê-lo e algo lhe prive disso, será capaz de retomá-lo.
É natural a um príncipe, antigo de uma terra, defendê-la e muito pouco comum ter a necessidade de ofender, de forma que é muito natural que seja benquisto pelo seu povo.
Capítulo 3 – Dos principados mistos
Caso seja um principado novo que é Principado Misto (membro unido a um Estado hereditário), os súditos trocam com boa vontade de senhor, crendo que o novo seja melhor, mas percebem que não o é e rebelam-se contra ele.
Sendo assim o príncipe tem por inimigos todas as pessoas que o que queriam e não o queriam no poder. O príncipe necessita da boa vontade dos seus habitantes para adentrar uma província.
Países revoltados quando são conquistados pela segunda vez, são mais difíceis de serem perdidos pois, sob o pretexto da rebelião, o príncipe relutará menos em castigar revoltosos, tornar claro suspeitas, tomar providências para sua própria felicidade.
Os Estado anexados a Estados Antigos que possuem mesma língua e são da mesma província tendem ser facilmente subjugados, principalmente se não eram acostumados a ser livres. Nestas condições o conquistador deve se ater a duas regras;
1 – Extinguir a linhagem do antigo príncipe
2 – Não mudar nem leis, nem impostos
Caso o Estado anexado não seja da mesma província, não tenha a mesma língua, hábitos e leis, será necessário ao conquistador grande capacidade e boa fortuna para conservá-la.
Uma das mais eficazes é o príncipe habitá-la. O príncipe saberá rapidamente quando desordens se instalarem e terá mais chances de remediá-las; a população não será dilapidada por lugares tenentes, sentirá que tem mais acesso ao príncipe e terá mais possibilidades de amá-lo ou temê-lo.
Outra opção é organizar colônias ou forças armadas em alguns locais da província que funcionarão como correntes de ferro.
As colônias são mais baratas: basta tomar as posses de quem morava nela anteriormente e entregá-la aos novos moradores que lhe são fiéis.
As forças armadas são mais caras e podem consumir a receita da província. A população sente este incômodo e acaba se rebelando, portanto são melhores as colônias.
O príncipe chefe deve defender os mais fracos e debilitar os mais fortes além de ter muito cuidado com os poderosos estrangeiros que venham a surgir (um povo descontente tende a chamá-los). Deve-se alcançar a adesão.
Há o risco dos fracos se tornarem fortes demais e com muita autoridade, submetendo os poderosos com a força de conquistador. Ao príncipe cabe comandar bem, senão facilmente perderá a conquista.
Capítulo 4 – Por que o reino da Dário, ocupado por Alexandre, não se rebelou contra os sucessores deste
Alexandre Magno conquistou toda a ásia em poucos anos e faleceu em seguida, mas seus sucessores não tiveram problemas em se manter no poder no que concerne esta questão.
Principados cuja memória de mantém são governados de duas maneiras:
1 – príncipe auxiliado por ministros. Sendo que os segundos lhe são servos.
2 – príncipe auxiliado por barões. Sendo que os segundo lhe são familiares, ligados pela tradição.
Os barões tem posses e súditos próprios, de forma que no primeiro modelo o príncipe dispões de mais poder.
O primeiro modelo é mais fácil de ser mantido, uma vez que subjugado. Porém é mais difícil de ser subjugado porque é mais difícil de ser desorganizado. Todos os súditos são escravos e portanto menos corruptíveis (porque não ganham nada em troca). A vitória se dará por meio da força, da morte do príncipe, pois além dele, ninguém tem domínio sobre o povo.
No segundo modelo, o príncipe detém menos poder, ele pode correr riscos ao cortar regalias dos barões, por exemplo. Tendo feito uma aliança com algum barão, não será difícil tomar um reino destes, mas será mais difícil mantê-lo, pois sempre há descontentes e gente interessada em inovações. Em pouco tempo os que não queriam o príncipe no poder e os que o auxiliaram estarão contra ele. Dentre os barões não é possível contentá-los ou eliminá-los, sendo bem provável a destituição no novo príncipe.
O reino de Dário era como o exmplo número 1 e portanto era mais fácil de ser mantido, uma vez que subjugado.
Contingências como a dominação de um poco ao longo do tempo depois de sua conquista dependem mais de características do povo dominado (quanto ao modelo de governo, se eram livre ou não, etc) do que o mérito ou demérito do vencedor.
Capítulo 5 – De como manter cidades ou principados que, antes da ocupação, eram governados por leis próprias
três maneiras:
1 – devastá-los (Cartago, pelos Romanos). É a garantia mais segura da posse.
2 – morar neles
3 – permitir que vivam com suas leis , arrecadando um tributo e formando um governo de poucas pessoas, que permaneçam amigas.
Esse governo deve crer que não existiria sem a amizade e o poder do príncipe e fará de tudo para conservá-lo.
Em sociedades livres a melhor forma de manter o governo é com o apoio dos cidadãos.
No caso de principados, os cidadãos estão acostumados a obedecer e serão mais fáceis de terem a lealdade conquistada. Já nas repúblicas há mais vida, há mais luta pela liberdade perdida. Sendo assim, no caso da conquista de uma república, sugere-se as maneiras de número 1 ou 2.
Capítulo 6 – Dos principados novos conquistados pelas armas e de maneira nobre
A principal questão de um príncipe em um principado novo é a preservação do domínio conquistado. Mérito ou fortuna podem abrandar muito as dificuldades.
Encontrar o momento certo para implementar seus méritos pessoais a fim de que seus atos tenham as consequências desejadas.
Homens de mérito, que só têm da fortuna o momento certo de agir, geralmente conquistam principados com dificuldade, mas o preservam com facilidade.
As suas dificuldades originam-se em parte de introduzir uma nova ordem legal e de costumes para Instituição do Estado e nada é mais arriscado do que instituir novas leis. Ele terá por inimigos todos os beneficiados pelas antigas leis e os beneficiados pelas novas leis provavelmente farão um tímido apoio.
Essa falta de apoio, segundo o autor, vem da natureza humana que só acredita em uma verdade nova depois de uma firme experiência.
Avaliação:
1- os inovadores podem fazer avançar a sua obra por meio da súplica (através dos outros, convencendo-os)
2 – Podem fazê-lo por conta própria , com firmeza.
Sendo o autor, a primeira medida raramente obtém êxito, porém todos os profetas armados venceram. Pois é fácil convencer as pessoas, mas é difícil mantê-las em sua convicção. Deve- se fazê-lo a força.
Capítulo VII – Dos principados novos conquistados com armas e virtudes de outros
Quem se torna príncipe apenas pela fortuna terá mais dificuldades na preservação se suas conquistas.
Estes príncipes dependem da vontade e da boa fortuna dos que lhes concederam o Estado, algo extremamente volúvel e instável.
A não ser que tenham muita habilidade e virtude, não saberão governar, porque nunca estiveram nesta posição.
Não poderão governar também porque não tem forças que lhe sejam amiga e leais.
O príncipe terá chances de manter sua conquista se for capaz de conservar solidamente as bases alicerçadas por outros.
Exemplos de condutas:
- proteger-se contra os inimigos;
- fazer amigos;
- vencer seja pela força seja pela astúcia;
- tornar-se amado e temido pelo povo
- ser seguido e respeitado pelos soldados
- eliminar aqueles que podem e devem ofender
- renovar as instituições antigas por novas leis
- ser severo e grato
- ser generoso e liberal
- acabar com a milícia desleal e formar uma nova
- contar com a amizade de reis e príncipes (para que talvez sejam solícitos e temerosos em lhe ofender)
- não eleger um papa a quem temerá no futuro
Capítulo 8 – dos que conquistaram o principado pelo crime
Há dois modos de ser tornar príncipe que não podem ser atribuídos diretamente à fortuna ou ao valor:
- ascender ao principado pela perversidade, por meios criminosos, contrários às leis humanas e divinas
- pelo favor dos compatriotas.
No primeiro modo: não é possível dar o título de ato valoroso à matança de que concidadãos, à traição de amigos, à falta de fé, piedade e religião. Com tudo isso conquista-se o poder, não a glória.
Modos de crueldade podem ser bem ou mal particados:
- são bem praticados quando empregados de uma só vez a fim de cuidar da própria segurança e depois são colocados de lado.
- São mal empregados quando aumentam ao invés de diminuir ao longo do tempo. Os súditos não tem confiança num senhor de atos cruéis recentes e frequentes.
Os benefícios, em contrapartida, devem ser cedidos aos poucos, para que sejam saboreados.
Capítulo 9 – Do principado civil
O principado civil se institui quando um cidadão se torna príncipe da sua pátria devido a vontade de seus concidadãos. Neste caso não há a necessidade de mérito nem de fortuna, mas sim de uma astúcia equilibrada.
O povo não quer se governado nem oprimido pelos poderosos, os poderosos querem governar e oprimir o povo. Destas suas vontades, surgem nas cidades três resultados distintos: principado, liberdade, desordem.
Principado:
1 - o príncipe pode ser instituído pelo povo.
2 - o príncipe pode ser instituído pelos grandes.
Quando instituído pelos grandes tem menos chances de se manter no poder, porque tem muita gente a cercá-lo que lhe são iguais e que serão difíceis de manejar.
O príncipe eleito pelo povo tem apoio popular e não possui muitos à sua volta. Além disso, a hostilidade dos grandes é composta por um número menor de pessoas do que a do povo.
O pior que o príncipe pode esperar de um povo é o abandono, dos grandes é o ataque, pois numa possível bancarrota eles tentarão se aproximar dos possíveis vitoriosos.
Os grandes podem ser divididos em dois grupos:
- os que oferecem tem compromisso com o príncipe e não são ladrões. (a este deve-se respeitar e estimar)
- os que não tem esse compromisso. Neste caso é preciso analisar sob dois aspectos:
- se o fazem por covardia ou falta de caráter. Estes nas épocas felizes honrarão o príncipe e não lhe farão mal nos momentos ruins.
- por decisão e ambição, pois preocupam-se mais com si mesmos. Nos tempos ruins te levarão à ruína.
O príncipe que subir ao poder apoiado pelo povo deve cuidar para que o povo não seja oprimido, sua principal questão. Se chegou ao povo legitimado pelos grandes, deve conquistar o povo em primeiro lugar. Quando um príncipe sobe ao poder apoiado pelos grandes, o povo espera dele o mal. Porém quando este príncipe começa a oferecer benefícios ao povo, eles se comprometem com ele muito rapidamente. Fazem-no amigo mais depressa ainda do que se o tivessem colocado no poder.
Um príncipe prudente deve pensar nos modos de ser necessário aos súditos, sempre, e de estes necessitarem do Estado; depois, ser-lhe-ão sempre leais. Por esta razão Maquiavel não crê ser sábio fazer uso do intermédio de magistrados em um governo pois num momento de incertezas o povo pode obedecer os magistrados, pelo costume de fazê-lo normalmente e não ao rei. Nada deve ficar entre o povo e o rei.
Capítulo 10 – Como medir as forças de todos os principados
Existem duas qualidades de principados:
1- Principado autônomo: são capazes de se conservar por si mesmos, geralmente porque tem abundância de homens e de dinheiro e conseguem manter um exército forte para enfrentar qualquer assaltante.
2- Principados que tem necessidade de outros: são incapazes de enfrentar um inimigo em campo aberto e escondem-se atrás das muralhas da cidade para se defender.
O pior principado a ser atacado é aquele que detém um Estado poderosos e a estima do povo. Portanto, vale ao segundo caso se armar e cuidar da estima do seu povo.
Mesmo em estado de sítio, um príncipe prudente tem como agir com astúcia a fim de manter o povo perto dele, seja pela esperança (de que o mal cessará em breve) seja pelo temor (da crueldade do inimigo). Numa situação em que as propriedades dos súditos foram queimadas, os mesmos podem se sentir mais próximos do príncipe porque parece que este lhe deve uma obrigação, como se o laço que os unia por causa dos benefícios que o príncipe lhes dava, se reforça pelas propriedades perdidas em nome de seu principado.
Capítulo 11 – Os principados eclesiásticos
São conquistados por mérito ou por fortuna e uma vez conquistados conservam-se sem nenhuma das duas, pois são sustentados pela rotina da religião. Suas instituições são tão fortes e poderosas que suportam seus príncipes no poder atuando como bem desejarem. O príncipe não precisa defender, governar ou lutar para conquistar seu povo, pois este também não se rebelará. São principados seguros e felizes por natureza.
Capítulo 12 – Das espécies de milícia e dos soldados mercenários
Neste capítulo ao autor trata dos meios ofensivos e defensivos que se fazem necessários no que concerne conquistar e preservar um principado.
Os principais fundamentos dos Estados são boas armas e boas leis.
As forças com as quais um príncipe preserva seu Estado podem ser:
- próprias
- mercenárias
- auxiliares
- mistas
Não é prudente apoiar a segurança de um principado em forças mercenárias e auxiliares. São inúteis e perigosas. Um príncipe nunca estará seguro nesta condição.
Nos principados Maquiavel aconselha que o capitão das tropas seja o príncipe e no caso da república, seja um de seus cidadãos. No segundo caso, o autor aconselha que a república controle, por meio de leis, o capitão demasiado valoroso para que não exagere nas suas funções. Maquiavel diz que estes modelos são capazes de grandes progressos, enquanto as armas mercenárias só dão prejuízo.
Capítulo 13 – Das tropas auxiliares, mistas e nativas
Tropas auxiliares – enviadas para ajudar por outro poderoso. São inúteis e causam prejuízo, na maioria das vezes, porque: se ela lutar e perder, o príncipe morrerá; se ela trinfar o príncipe será dela prisioneiro. Deve-se temer o mérito destas tropas.
Tropas mistas – mercenários e soldados próprios. É melhor do que um tropa de mercenários ou de auxiliares, mas inferior a uma tropa própria.
“Nada é tão instável quanto a fama de poder de um príncipe quando não se encontra aopiada na própria força”.
Capítulo 14 – Dos deveres do príncipe para com as suas tropas
Um príncipe deve se desenvolver na arte da guerra e das armas pois não é razoável que um príncipe armado obedeça de boa vontade um príncipe desarmado. Ou seja, cabe ao desarmado a submissão.
Um príncipe deve-se ocupar da arte da guerra ainda mais em momentos de paz. Isso pode ser feito de dois modos: pela ação e pelo pensamento.
Pela ação:
- conservar os soldados sob disciplina e sob exercícios constantes
- fazer grandes caçadas para acostumar o corpo com os desconfortos da vida em campanha e para aprender sobre a geografia de seu território o que o dará substrato para analisar melhor outros terrenos, quando em campo inimigo.
- Deve aprender a fazer contato com o inimigo, acampar, guiar os exércitos, montar planos de batalha, cercar e acampar com vantagem.
Pelo pensamento:
- ler histórias de países
- avaliar as ações de grandes homens, verificar como se conduziram nas guerras
- analisar os porquês de suas vitórias e derrotas para ser capaz de escapar destas e imitar aquelas.
Capítulo 15 – Por que os homens, em especial os príncipes, são louvados ou insultados
É necessário a um príncipe que aprenda a ser mau e que se sirva disso ou não na medida em que for necessário. Esta argumentação se baseia no fato de que um homem que pretende ser bondoso em meio a muitos maus obrigatoriamente será arruinado.
É importante ao príncipe prudente evitar os defeitos ou qualidades que ponham em risco o seu principado. Ele não deve se preocupar em ser qualificado por alguns defeitos se os mesmos lhe permitirem estar em segurança e bem estar assim como não deve se preocupar em cultivar qualidades que ponham em risco suas conquistas.
Capítulo 16 – Da liberalidade de da parcimônia
Caso um homem deseje ter fama de liberal deverá, não praticá-la de maneira virtuosa e devida, mas sim, agir de forma suntuosa e para isso será necessário onerar muito o seu povo. Isso o tornará odioso e quando estiver empobrecido, causará sua desestima pelos outros.
O príncipe não deve temer a fama de avarento e deve ter parcimônia. Com o tempo, poderá se mostrar ao povo cada vez mais liberal, porque sua paciência fez sua receita suficiente para não precisar onerar o povo.
Um príncipe deve ter poucos gastos para que não seja forçado a roubar seus súditos, para poder se defender, para não empobrecer e se tornar desprezível.
É mais prudente ter fama de miserável, porque é uma má reputação sem ódio do que, para ter fama de liberal, acabar tendo fama de ladrão e gerar o ódio.
A única possibilidade de se ter altos gastos sem riscos para afama está nas conquistas de guerra: gastar os pertences de outro nunca rebaixa, mas eleva a fama.
Capítulo 17 – Da crueldade e da piedade – se é melhor ser amado ou temido.
Todo príncipe deve preferir ter a reputação de piedoso a cruel, mas é importante perceber que alguns gestos de crueldade podem proteger cidades inteiras, fazendo-o muito piedoso. Dessa forma, o príncipe não deve se importar com a fama de cruel, pois aquele que por piedade em demasia permitiram que desordens surgissem e se estabelecessem podem ser considerados muito mais cruéis pois permitiram o surgimento de roubos e assassinatos.
Estados novos geralmente necessitam de príncipes mais cruéis, pois estão cheios de perigos.
É mais seguro ao príncipe ser temido do que ser amado. Isso se dá porque aos homens, o sentimento de amor é algo mais fácil de ser traído do que o temor que é alimentado constantemente pelo medo de ser punido. Porém, se não for amado, o príncipe deve evitar de ser odiado e isso se dá pela restrição de bens ou mulheres pelos seus súditos. Outra ocasião que pode gerar ódio ao príncipe se dá quando o mesmo é obrigado a derramar sangue. Neste caso deve fazê-lo obrigatoriamente munido de justificativas.
Em campanha é interessante ao príncipe ter fama de cruel, pois o mesmo lhe facilita manter seu exército unido e disposto a qualquer ação.
Conclui-se: o príncipe, acima de tudo, deve se preocupar em não ser odiado. Ser temido não é mais seguro do que ser amado.
Capítulo 18 – Como os príncipes devem guardar a fé da palavra dada
É muito louvável um príncipe que tenha conseguido viver com integridade, mas são poucos os que conseguiram fazê-lo.
Há duas formas de combater: pela lei e pela força. A primeira é natural do homem a segunda é natural do animal. É necessário ao príncipe saber quando empregar cada um dos dois modos, pois em muitas ocasiões a primeira não se faz suficiente e uma sem a outra é causa de instabilidade.
Quando o príncipe fizer valer a parte animal, deve fazer uso das qualidades da raposa que conhece a armadilhas e do leão que atemoriza os lobos.
Uma vez que os homens não são todos bons, mas traidores por natureza, justifica-se ao príncipe quebrar a fé jurada pois o contrário seria nocivo. Além disso, ele deve saber dissimular muito bem esta qualidade. Não será difícil ao príncipe encontrar a quem enganar, visto que os homens são muito simples e obedecem demais suas necessidades do presente.
Não é preciso que o príncipe tenha todas as qualidades (piedade, fé, integridade, humanidade e religião), mas é preciso que aparente possuí-las. Segundo Maquiavel, seria inclusive nocivo ao príncipe tê-las e fazer uso de todas elas, é mais útil apenas aparentá-las.
Os príncipes de Estados novos, especialmente, são forçados, para manter seu governo, a agir contra a caridade, a fé, a humanidade e a religião.
“Todos veem o que tu pareces, poucos o que realmente és…”. “…somente importa o êxito, bom ou mal. Procure, pois um príncipe vencer e preservar o Estado. Os meios empregados sempre serão considerados honrosos e louvados por todos, porque o vulgo (plebe) se deixa conduzir por aparências e por aquilo que resulta dos fatos consumados, e o mundo é composto pelo vulgo…”
Capítulo 19 – De como evitar ser desprezado e odiado
Um príncipe que goza de grande reputação é muito menos passível de ser vítima de conspirações e ataques.
Para isso o príncipe deve evitar ser odiado (usurpando bens e mulheres de seus súditos), mas também deve evitar tornar-se desprezível sendo: volúvel, irresponsável, afeminado, covarde e indeciso. Deve agir com coragem e grandeza para que seus súditos não creiam que podem emganá-lo ou dissuadi-lo de suas decisões.
O príncipe deve ter duas razões para seus receios: um interno, de seus súditos e outro externo, dos poderosos de fora.
A defesa contra invasões externas podem ser evitadas tendo boas armas. E quem tem boas armas tem bons amigos.
Os problemas internos serão evitados se os externos forem estabilizados. O problema está nas conspiração. Para evitá-las é mister que o príncipe não seja odiado ou tido como desprezível. O conspirador nunca será forte sem o apoio do povo.
Capítulo 20 – Se as fortalezas e muitas outras coisas feitas cotidianamente pelo príncipe são úteis ou não
As atitudes tomadas para manter um Estado devem levar em consideração as características de cada Estado.
Estados Novos – o príncipe deve dar armas aos seus súditos pois assim os manterá leais a ele. Visto que o príncipe não poderá armar toda a população, deve prover benefícios aos que foram armados, para que tenha mais segurança. Os beneficiados, por serem tratados de maneira diferente, se sentirão comprometidos com suas novas obrigações. Desarmá-los significará ofendê-los e dizer que não confia neles, algo que o príncipe nunca deve fazer, pois incitaria o ódio contra ele. Visto que não pode desarmá-los, o príncipe pode recorrer então a uma milícia mercenária, sendo observados os seus males. Um principado novo deve organizar suas forças armadas. Um território novo, anexado, deve ser desarmado. Mesmo aqueles que auxiliaram o príncipe em sua conquista devem ser desarmados com o tempo e suas armas passadas aos soldados do príncipe.
Pode-se permitir que cidades vizinhas mantenham-se separadas dentro de um reino e incitar-lhes a discórdia para que não se voltem contra si em tempos de paz, mas em tempo de guerra essa atitude enfraquece o principado.
O príncipe sábio pode incitar também com astúcia alguns inimizades contra si de forma que ao sobrepujá-las, faça-se maior sua fama.
O príncipe encontra maior fé e confiança nos homens que a princípio não lhe apoiaram do que naqueles que já lhe infundiam confiança. Isso se dá pelo fato que estes homens precisam se manter e para isso veem-se obrigados a servir o novo príncipe com grande lealdade a fim de eliminar a péssima impressão que ele tinha dos mesmo, pois não o apoiavam.
Os príncipes que tomaram o poder através do poder popular devem saber se assumiram o poder porque o povo lhe tem amizade ou porque o povo odiava o príncipe anterior. No segundo caso, é muito possível que o príncipe tenha os mesmos tipos de problemas que o príncipe anterior e que tenha mais facilidade de ganhar a amizade dos que se sentiam satisfeitos com o regime antigo.
A utilidade ou não de se construir fortalezas depende das circunstâncias: “ …o príncipe que temer mais seu próprio povo do que os estrangeiros deve elevar fortificações (pois um povo rebelado sempre encontrará algum estrangeiro que queria ajudá-lo), mas os que mais sentir medo dos estranhos do que do povo não precisa se importar com isso…” pois a melhor fortaleza de todas é não ser odiado pelo povo.
Capítulo 21 – O que um príncipe precisa realizar para ser estimado
“Nada promover tanto a estima de uma príncipe como as grandes empresas e os raros exemplos.”
Um povo que perde o fôlego de admirar as conquistas de seu príncipe não tem tempo de agir contra ele.
Quando alguém, na vida civil, tiver algum ato fora do comum, é importante o que príncipe lhe recompense ou o puna de forma a gerar comentários e ele conquista a reputação de ser um grande homem.
É sábio o príncipe consegue analisar a realidade a fim de que saiba tomar partido. É nocivo manter-se neutro pois, por exemplo, se dois reinos vizinhos entrem em conflito, ao final desse ,o príncipe temerá o vencedor e o derrotado não terá nenhuma razão para agir em sua defesa ou oferecer-lhe asilo em caso de conflito. É sempre mais útil escolher o lado e entrar no conflito.
O príncipe deve evitar se aliar com mais poderosos pois será prisioneiro do seu aliado caso ele vença. (exemplo das milícias auxiliares).
Há o risco de que os súditos tenham medo de fazer prosperar demais as suas terras e posses e que por isso venham a perdê-la ou passem a pagar mais impostos. O príncipe deve valorizar tudo que fizer prosperar o seu reino e portanto deve valorizar as virtudes, instituindo prêmios aos que o fizerem.
Além disso, é sábio que o príncipe ofereça festas e espetáculos ao povo, mostrando-se amável e generoso mas sem perder a majestade de sua dignidade.
Capítulo 22 – Dos ministros dos príncipes
A primeira análise que se faz em relação à inteligência de um príncipe está na escolha das pessoas que ele tem a sua volta. Bons ministros são competentes e fiéis.
Existem três tipos de cabeça:
- excelente: compreende as coisas por si própria
- muito boa: sabe discernir o que os outros entendem
- inútil: não entende por si e não sabe avaliar o trabalho dos outros.
Um bom ministro dever ter uma cabeça muito boa ou excelente.
Para descobrir se a pessoa é ou não um bom ministro deve-se avaliar se ela pensa mais em si ou no príncipe quando vai pautar suas ações. Se ela procura tirar proveito pessoal, não é um bom ministro.
O príncipe, em contrapartida, deve se preocupar em horar e enriquecer seu ministro de forma que ele se sinta um homem feliz e de sorte e não deseje mudanças.
Se o príncipe e o ministro não tiverem confiança mútua, ambos terão um fim ruim.
Capítulo 23 – De como se devem evitar aduladores
O mal de o príncipe permitir aos homens que lhe digam a verdade é que estes podem acabar por lhe faltar com o respeito. Por esta razão é prudente que o príncipe eleja os homens mais sábio de seu Estado e apenas a eles permita que digam a verdade apenas sobre o que lhes foi perguntado.
É importante que estes homens percebam que quanto mais se sentirem livres pra dizer a verdade, mais suas opiniões serão ouvidas.
Quando um príncipe dá ouvidos aos aduladores pode acabar agindo precipitadamente ou ficar mudando muito de opinião, fazendo-se instaurar a falta de confiança.
Um bom príncipe sabe escolher bons conselheiros, de forma que está errada a afirmação de que bons conselheiros fazem bons príncipes. Na verdade bons príncipes escolhem bons conselheiros.
Capítulo 24 – Por que os príncipes da Itália perderam os seus Estados
Um príncipe novo que tem boas ações é visto como superior a um príncipe de linhagens antigas que tem boas ações porque os homens tendem a apreciar o presente e não dão valor ao passado. Dessa forma, o príncipe novo é visto como duplamente vitorioso: por haver conquistado o principado e por haver instituído boas leis, boas armas e bons exemplos.
Os reis italianos que perderam suas armas em geral tiveram os seguintes erros:
- armas ruins
- ódio do povo
- não foram capazes de neutralizar poderosos
Outra falha grave é não ser capaz se dá quando a defesa do seu reino não depende do príncipe e de seu mérito, visto que o mesmo foge na existência de conflitos esperando que insurjam-se forças para defender seu reino.
Capítulo 25 – De quanto pode a fortuna nas coisas humanas e de que maneira se deve resistir-lhe
Para o autor, a fortuna rege metade das nossas ações e nós regemos a outra metade. Os homens podem agir de modo que a fortuna não lhe cause grandes danos, como um povo que se organiza para que não hajam cheias num rio impetuoso que margeia o vilarejo. Ou seja, não é possível detê-la, mas com astúcia, é possível diminuir seu poder destrutivo.
Um príncipe prudente, sabe fazer bom uso da fortuna, adequando seu modo de agir aos tempos em que se encontra. Arruína-se o príncipe que se apoia apenas na fortuna e vive de acordo com as suas variações. Se um homem souber agir conforme pede cada situação, verá que sua sorte não mudará.
É melhor ser impetuoso e audacioso quando se trata da fortuna porque, segundo o autor, a fortuna é como uma mulher: deve-se bater nela e contrariá-la para poder dominá-la.
Capítulo 26 – Exortação ao príncipe para livrar a Itália das mãos dos bárbaros
Neste capítulo final, Maquiavel pretende convencer o príncipe Lourenço a capitaniar a expulsão dos bárbaros da Itália.
Segundo Maquiavel, apenas tendo chegado a situação precária em que está agora a Itália será capaz de dar valor a um príncipe italiano como foi necessário ao povo de Israel ser escravizado no Egito para que conhecessem a virtude de Moisés.
O autor julga ser aquele o momento propício para a ação de Lourenço e diz que Deus apenas não o faz para não privar os homens do livre arbítrio e da glória de fazê-lo.
Maquiavel esclarece que a primeira atitude a ser tomada é a formação de tropas próprias e analisa as fraquezas das tropas inimigas a fim de conceder as informações necessárias para a formação de uma tropa superior italiana.
O texto acaba com uma expressão de Petrarca que diz que a virtude dos italianos tomará as armas em um combate que será curto, pois ainda vive um valor antigo dentro do coração dos italianos.